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Doutores da Alegria

Eu nunca fui internada. E não sei vocês, só que eu não gostaria nem um pouquinho de ter 24 horas por dia uma agulha espetando a minha pele, despejando um líquido frio nas minhas veias e eu sem poder fazer minhas estripulias. 
Imaginem crianças que recorrentemente são submetidas a internações por conta de doenças crônicas. Precisam pausar suas vidas escolares, suas brincadeiras no play do prédio e mais uma vez se dirigirem ao hospital: frio, solitário e branco. Além de tudo, o medo e a incerteza da cura.
Pensando nisso, em 1994 foi criada uma organização sem fins lucrativos chamada "Doutores da Alegria".


A figura utilizada por eles é a do palhaço, extremamente lúdica e acessível para as crianças que não tem medo e no caso não sou eu porque tenho pavor de palhaços. 

Um pouquinho de alegria já muda completamente o ambiente antes austero do hospital. São utilizados palhaços profissionais, sendo alguns voluntários e outros contratados. A propósito, a instituição sobrevive de doações tanto para o pagamento de funcionários quanto para a formação de novos palhaços, que atuam diretamente com as crianças depois de um curso de 3 anos de duração.


Imagem retirada do site dos Doutores da Alegria
No site dos Doutores da Alegria, há essa explicação sobre a missão e a visão deles sobre o projeto:

"A missão dos Doutores da Alegria é promover a experiência da alegria como fator potencializador de relações saudáveis por meio da atuação profissional de palhaços junto a crianças hospitalizadas, seus pais e profissionais de saúde. Compartilhar a qualidade desse encontro com a sociedade com produção de conhecimento, formação e criações artísticas.

A visão dos Doutores da Alegria é tornar-se um centro cultural referência na arte do palhaço e nas artes cômicas em geral oferecendo acervo, publicações, cursos e produções artísticas que estimulem a reflexão e o diálogo crítico com diversos setores da sociedade."


Como você já deve estar imaginando, para se tornar um Doutor da Alegria você precisa ser um profissional, com curso para palhaço. E apesar de ser gratuito para os hospitais, os profissionais são assalariados e, desta forma, reforço a importância das doações para a sobrevivência da organização. 

Não é apenas com os Doutores da Alegria que você pode fazer a diferença no mundo, mas conhecer a maior organização com esse intuito em hospitais é muito legal. 





Doação de cabelos: você também pode fazer

Vocês sabem que eu sou meio maluca com esses negócios de doação, não sabem? Se não sabiam, ficam sabendo agora!

Quero me cadastrar como doadora de medula, já avisei que sou doadora de órgãos, me roo de tristeza por não conseguir doar sangue... Agora que descobri a doação de cabelos pensei que isso é muito amor e por isso estou me segurando para não cortar o cabelo num ímpeto! E ele já tá bem grandinho!

Tá afim de saber mais sobre isso e como fazer? Cola no post aí!



O cabelo na nossa sociedade é sinônimo, para muitos, de dignidade feminina. Um cabelo bem tratado, bonito é sempre muito bem visto por todos. Mas e quando isso é arrancado de nós de uma hora para outra?

Já imaginou uma situação de uma menina da nossa idade, 17 ou 18 anos, que descobre-se de repente com uma doença dificílima como o câncer? E se no tratamento quimioterápico seus cabelos caíssem e ela se tornasse "careca"? Imagina a dificuldade de lidar com a falta de identificação com seu próprio corpo e sua própria imagem, além da doença que está se passando. 

Imagine uma senhora de meia-idade, casada, com filhos. A perda do cabelo para ela pode vir com o medo de que seu marido não mais a reconheça, além de toda a dificuldade da doença que ela está passando. Isso é bem comum quando você conversa com pessoas que passam por esses problemas.

Se você se sentiu mal com qualquer uma dessas situações, deve começar a pensar em se tornar um doador de cabelo! Não doi e faz um bem danado!

Eu estou deixando meu cabelo crescer com o intuito de doá-lo. Já estou há 5 meses sem cortá-lo. Esse é meu recorde porque eu sou a maníaca-que-corta-o-cabelo-sempre. 


Atentei para essa campanha quando minha amiga Letícia Sales, de Recife, deu uma entrevista no jornal local sobre a instituição "Força na Peruca", que atua na cidade conscientizando e recolhendo doações. Ela cortou mais de 20 centímetros do cabelão lindo que ela cultivava já há anos, tudo para o bem da causa. E com certeza há alguém muito mais feliz de receber esse cabelo, que será utilizado para confecção de apliques e perucas para essas pessoas que sofrem de alopécia, câncer, dentre outras doenças ou disfunções que causam a queda do cabelo. 

Ah, queria deixar claro que é o tratamento quimioterápico para o câncer que majoritariamente causa a queda do cabelo. Instituições oncológicas como o INCA (Instituto Nacional do Câncer) estão de olho nisso e muitas vezes recebem doações. Verifique se o INCA no seu estado está recebendo e se informe de todo o processo necessário para cada lugar para onde você está doando. 

Além do INCA e do Força na Peruca, há diversas outras instituições. Informe-se direitinho sobre elas: algumas você precisa pagar correio e frente, noutras há pessoas que vão até mesmo buscar o cabelo.

Para doar, não importa o tipo de cabelo. Dos lisos aos cacheados, passando pelos ondulados, crespos e com frizz. Coloridos, descoloridos, com tonalizantes... A única coisa que se pede é que o cabelo não esteja muito danificado com uma sequência química pesada. 
É importante atentar para o tamanho. A doação recomendada é de mais de dez centimetros (aproximadamente um palmo de cabelo). 



Imagem retirada do Notícias R7

Deu pra entender o processo, pessoal? Animam de doar?
Fazer o bem é sempre a melhor escolha!


UPDATE: Ahhh, acabei de lembrar que eu já havia escrito aqui no blog no início desse ano sobre a doação de medula óssea. Tá quase chegando a minha hora e se você quiser saber mais sobre o assunto, clique aqui

"A conversa"

Foto retirada do We heart it e adaptada por mim. Por favor, muito lindinha.

Aproveitei a carona da Leidianne Martins, do Dedo de Menina, para desenvolver um assunto polêmico mas que envolve todos os adolescentes do mundo todo: sexo.

Quando fui chegando à pré-adolescência, minha mãe casualmente mandou aquela conversa que tooooodas as crianças sabem que vai acontecer. "A conversa" tem um tema meio misterioso (um tabu?). É um enigma envolto em névoa, algo que a gente não sabe exatamente o que é mas com certeza é meio escondido para ninguém comentar tanto com a gente.
Vá lá, aos dez anos eu já sabia o que era sexo, camisinha, opções sexuais diferentes e como não ter um neném cedo era importante. Entendia que era algo sério considerar "a hora certa", tratar de forma igualzinha à que eu queria ser tratada todo mundo que é gay e que o posto de saúde distribuía preservativos e anticoncepcionais. Meus pais me criaram de forma bem aberta e o resto, o mundo foi ensinando.

Mas o sexo ainda é um tabu para várias famílias, principalmente famílias de meninas. O espanto que se segue depois que uma menina perde a virgindade ainda é completamente diferente do que acontece quando descobrem que o menino a perdeu. Já vi darem os "parabéns" ao menino... Por acaso é algum tipo de comemoração de aniversário que eu perdi? Uma congratulação carregada de bestialismo e sexismo.
As meninas sofrem com opções, com prazer reprimido, com a "culpa" de que algo possa dar errado... Claro que os meninos também sofrem pressões da sociedade, mas pressões um pouco opostas. A masturbação masculina é vista como "normal", quem nunca fez? Já a feminina é encarada de forma muito negativa por muitas meninas, inclusive, que mal sabem sofrer com preceitos enraizados da moral cristã que permeia o mundo ocidental. Mesmo se você não tiver nenhuma religião, você nascendo num mundo embebido por séculos de doutrinação cristã vai sofrer influência disso nas suas atitudes. 

Acho que já passou da hora de toda a sociedade agir com seriedade em relação ao sexo, sem tabus, sem névoas.
Todo mundo fez, faz ou um dia o fará.
Todo mundo que fez com a consciência limpa, tendo certeza de sua decisão, gostou. Nunca vi ninguém dizer o contrário.
Homens e mulheres. Heterossexuais, homossexuais, bissexuais e toda a gama de opções sexuais existentes. Todos sentem prazer. Todos. Sem exceção. E isso não é sujo.

A busca pelo próprio prazer é algo legítimo, um grito de liberdade. Seja com quem quiser e da forma como quiser, a menos que você desrespeite o outro.
Não vou ser hipócrita, acho que sua liberdade deve ser alcançada com respeito irrestrito pelo outro. Respeitar o espaço alheio e a liberdade alheia é o que há de vital para que sua liberdade seja legítima. 

Mas enquanto o prazer for seu e a sua consciência dominar toda e qualquer decisão que você tomar... Não torne o sexo um tabu, não perpetue a névoa.

Uma sociedade que comece a tratar o sexo como algo natural tornará, a longo prazo, problemas como gravidez precoce e doenças sexualmente transmissíveis infinitamente mais escassos. 
Uma sociedade que comece a tratar do prazer que vem do sexo tornará, a longo prazo, suas pessoas muito mais felizes, livres e bem resolvidas. 
Uma família que trate com naturalidade "a conversa" terá filhos com muito mais maturidade e menos dúvidas relacionadas ao sexo. 

Só se livrar dos tabus para fazer tudo ser mais fácil, mais leve e muito mais gostoso. 


Reflexões sobre "Eternal sunshine of the spotless mind"



Eu já disse que gosto muito desse filme desde a primeira vez que o vi? Tenho mania de dizer o nome do filme em inglês, então se acostumem em ler Eternal sunshine of the spotless mind. O título em português é Brilho eterno de uma mente sem lembranças e já tem no Netflix em HD! 
Ele é um filme de 2004 que tem o Jim Carrey (Todo poderoso, O mentiroso) e Kate Winslet (Titanic, Em busca da Terra do Nunca) como protagonistas, mas também outros nomes como Mark Ruffalo (E se fosse verdade...) e Kirsten Dunst (Melancolia). O diretor é Michel Gondry.


Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças (2004)

A sinopse segundo o Adoro Cinema é essa: 
Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet) formavam um casal que durante anos tentaram fazer com que o relacionamento desse certo. Desiludida com o fracasso, Clementine decide esquecer Joel para sempre e, para tanto, aceita se submeter a um tratamento experimental, que retira de sua memória os momentos vividos com ele. Após saber de sua atitude Joel entra em depressão, frustrado por ainda estar apaixonado por alguém que quer esquecê-lo. Decidido a superar a questão, Joel também se submete ao tratamento experimental. Porém ele acaba desistindo de tentar esquecê-la e começa a encaixar Clementine em momentos de sua memória os quais ela não participa.




Bem, minha opinião do filme é a de que ele é maravilhoso. Você precisa se atentar aos detalhes, como o cabelo da Clem ou as falas de alguns personagens para ele ficar incrível. Assistir pela segunda vez me deu agora um melhor entendimento das situações. 
É um filme muito voltado para o mental. Boa parte dele acontece dentro da cabeça de Joel durante o procedimento, são as lembranças e impressões dele. Por isso há cenas muito surreais e que eu acho esteticamente muito legais. SPOILER: Como, por exemplo, quando as coisas vão se apagando gradativamente. 

Mas o meu objetivo não era fazer realmente uma resenha do Eternal sunshine. Na verdade, era discutir uma questão que me intriga sempre que me recordo desse filme:

 

Porque não é segredo para ninguém que é isso que Joel e Clementine fazem depois da desilusão. Você apagaria da sua vida toda a sua história com um amor que não deu certo, ou com amizades fracassadas e por aí vai?


Eu, Ana Beatriz, não apagaria. Porque, para mim, até mesmo as falhas e as coisas que foram mal sucedidas de alguma forma na minha vida servem de aprendizado. Aquela velha história de que quanto mais erros você comete, menos erros você vai cometer. 
Um relacionamento pode não ser visto como um erro, claro. Mas se ele chegou ao fim, como aconteceu com Clem e Joel, houve erros de ambas as partes. Aquela conversa que você não quis ouvir direito do seu companheiro e ele remoeu. Aquela vez que um dos dois furou um compromisso, a escorregada quando você esquece alguma data especial e por aí vai. Acontece, mas desgasta! Isso em casos que não são de traição, não? Porque se houve traição raras são as vezes em que o traído tem uma mínima culpa. E o maior culpado na situação toda é sempre o traidor, convenhamos! 
Esse é um grande ponto de questionamento do filme e eu quis trazer para vocês. Mandem suas opiniões aí! 

Um ode ao manequim 38 (e ao 36, e ao 40, 42, 44, 46, 48...)

Prende a respiração. Isso, isso mesmo. Encolhe a barriga e pense que seu intestino está ali apenas como acessório a ser ignorado nesse encolhimento todo. Melhor: não pense nele. Ignore sua existência pelos próximos segundos, que vão sim parecer minutos. Pense que você é uma tábua, decore um mantra oriental e imagine que essa massa amorfa na região abdominal pode sim entrar num manequim menor que o seu. 
Ainda com esse encolhimento todo, deite. A gravidade irá ajudar toda sua banha imaginária a entrar nos eixos e na calça 36. Já foi um milagre o jeans ter passado das coxas, mas você não pensa nisso. Você quer fechar a calça e sentir-se enlatada na festa, pra jogar na cara daquela menina que disse coisas ruins durante o ensino fundamental pra você, para parecer a poderosa estátua que vai ignorar o canapé porque não cabe nada no estômago por causa da bendita calça.
PÁ! O botão foi pelos ares e com ele o resto de dignidade que você tinha. Mas não chore...
Querida, você é mais que o manequim 36. Seu manequim é 38. Além disso, você é mais que o tamanho de uma calça.
Confesso ter entrado em desespero dia desses. Sempre vesti números relativamente baixos com toda minha altivez de Olívia Palito. Ganhei uma calça 38 de minha sogra linda (beijos, te amo!) e quase chorei quando vi que a dita cuja nem das minhas coxas passava. Então falei com meu namorado sobre como era ruim não entrar no meu manequim adquirido com uma "dieta do engorda"que foi longe demais. Procurei estrias e celulites e não encontrei nada que fosse digno de nota. Procurei então onde eu estava no sobrepeso. Calculei até IMC, minha gente, e a calculadora online me deu "Parabéns!" pelo peso ideal. De onde eu tirei que deveria ter um manequim X ou Y? Claro, da ditadura da beleza que quase nos oprime. Que diz que o X-tudo do podrão da esquina deve ser rechaçado todas as vezes e não comido de vez em quando. Que diz que a coca-cola do fim de semana deve ser cortada tal qual samurais cortam pescoços. 
E digo pra você que almeja as thigh gaps, ausência de estrias, barriga negativa e por ela mata. Mais do que isso, morre numa dieta e assassina seus instintos ao passar pro lado a rabanada no Natal. Mas que audácia! Deixou a água morrer na boca e a vontade do doce deu um solene último suspiro na areia da praia que você quer exibir o biquíni menor que o da Inês Brasil.
Quem foi que te disse que isso é legal? Ao menos saudável? Se eu fosse um cara eu não saberia nem o que é estria e celulite. Sabe como sei disso? Perguntei pros meus amigos se eles sabiam diferenciar estrias de celulites, banhinhas abdominais de prisão de ventre (pois é, minha gente, mulheres têm uma baita prisão de ventre por conta de hormônios). Te digo que eles nem sabiam o que era o terror das mulheres porque, e acho que a resposta deles foi genial, eles sabem que não vão encontrar o padrão Playboy que eles tanto melam nas revistas por aí. Porque ninguém anda photoshopado na rua. E ninguém precisa viver pra ter o corpo da Salimeni porque isso deve ser chato pra caramba. "Olha meu Whey Protein novo!", "Olha, mudei a série da academia".
Mulheres que batalham, estudam e cuidam do seu corpo da forma que devem cuidar são muito mais interessantes a longo prazo. Não estou dizendo que você tem que abandonar dietas de uma hora pra outra e viver de forma desregrada. Mas ao invés de lutarem pelo #projetoverão, lutem por uma vida mais saudável em todos os âmbitos. E, claro, que lhe forneçam oportunidades das escapadinhas achocolatadas porque nem só de pão vive o homem.
Se o seu manequim for 36, 38, 44 ou qualquer que seja o número, não vale a pena se descabelar se não está onde gostaria. Com calma e com conhecimento do seu próprio corpo, tenho certeza que você vai encontrar mais do que um look legal para ir naquela festa. Você vai poder comer os canapés, os camarões e lagostas que quiser com classe e com espaço na barriga. Mais do que isso: você vai se sentir tão bonita que pode parecer brega, mas nem o iluminador da MAC vai brilhar mais do que seu espírito. Você estará mais radiante porque hoje você se conhece. E você não se define mais por um número qualquer no manequim! 



Para os curiosos e curiosas de plantão, voltei na loja que minha sogra comprou a calça. A moça disse que as numerações não vieram certas e que o 38 era o 36, o 40 era o 38 e assim por diante. Ah, e que eles estava trabalhando para consertar. Não sei como foi que saí da loja, mas não me senti melhor por saber que meu tamanho ainda era o 38. Fiquei pensando: "E o último tamanho, coitada? Se o 46 é o tal do 44... E quem veste o real 46? Não existe mais! Aboliram! A ditadura da beleza é realmente uma bela e gorda duma merda!"


Entrevista para o Cafeína Aguda


Chuchus da minha vida!! Como vocês estão? Hoje o post é rápido e uma hiper-indicação para quem é curioso sobre o assunto ou quer conhecer a linda Mari.
Para quem não sabe, eu sou espiritualista. Frequento centros espíritas desde muito novinha e ano que vem devo ingressar já na escola de médiuns. Em uma conversa em um grupo do Facebook a Mariana Ferrari, dona do blog Cafeína Aguda, começou a se interessar sobre a religião. Baseado em coisas que eu, reles mortal, disse ela criou dois posts para conscientização da população sobre o que realmente é o espiritismo e todos os motivos pelos quais as pessoas dessa religião não devem sofrer nenhum tipo de preconceito.
Deixo claro aqui que não apenas os espíritas (ou espiritualistas) não devem sofrer preconceito. NINGUÉM DEVE SOFRER PRECONCEITO! Em caixa alta, letras garrafais messsssssmo!
Daí que eu aposto um real que vocês vão começar a se sentirem tentados a visitar o blog dela e ler o que eu disse por lá.



Coisificação humana: Lulu e Tubby

Eu sabia que viria. Poupei posts sobre o Lulu porque imaginei que mais dias ou menos dias trariam o revanchismo barato de um aplicativo com os mesmo objetivos (se não piores) do dito cujo, só que ao contrário. E eis que surge o anúncio do Tubby. Mas vamos lá, você sabe quais são esses aplicativos?
Lulu é um aplicativo desenvolvido para celulares com programa operacional iOS e Android. Ele está disponível gratuitamente e isso não quer dizer que deva-se baixar. Sabem o que ele faz? A partir de hashtags mulheres anonimamente avaliam homens, dando uma nota a eles. Homens que tem o perfil do facebook diretamente vinculado ao aplicativo e muitas vezes nem sabem que estão lá. #TresPernas, #NãoLigaNoDiaSeguinte, #SóDáUma. Há as mais leves como #CurteRomeroBritto e #EnergyzerBunny (que seria o cara com muita energia, tipo aquele coelhinho do comercial de pilhas) dentre outras. “Ah, mas é inocente, as hashtags são leves”
Até concordo que as hashtags não são tããããããão pesadas e alguns caras até curtem (Ops, super-ego ativado! E não é o da psicanálise). Mas qualquer aplicativo de coisificação humana deveria ser imediatamente repudiado pela sociedade. Voltamos aos moldes escravistas no Brasil, em que homens e mulheres eram avaliados por dentes, força muscular ou capacidade de procriar maior ou menor apenas por serem negros? Hoje em dia não tem o lance da cor de pele para os aplicativos (porque seria o cúmulo), mas a ideia da exposição da “carne humana” é a mesma. Pera lá, pessoal! O século é o vigésimo primeiro da era cristã e até onde eu sei, o avanço tecnológico não nos deixou mais burros e desumanos. Ou deixou?
Mas foi a vez de quem dizia achar o Lulu um bom tapa na cara da sociedade machista (o que, na minha opinião, não é uma resposta) morder a língua. Criaram o Tubby, para ser lançado dia 04/12 nos mesmos moldes do Lulu só que com uma diferença crucial. A personalidade da pessoa não é avaliada (como se apenas isso não fosse horrível). É a performance sexual dela que vai para a tela de milhões de pessoas! Uma coisa que deveria ficar entre 4 paredes atravessa a rede e aparece em forma de “bits” de informação num celular a milhares de quilômetros. Opressão tecnológica agora também? Já não basta os milênios de subjugação sexual e psicológica que as mulheres sofreram e sofrem? Avaliadas com hashtags como #EngoleTudo e #GostaDeApanhar? Mais do que isso: mulheres avaliadas através de notas apenas por causa do sexo que gostam de fazer? Acho que o mundo alcançou a escória definitiva e o que vemos são as cinzas da dignidade das pessoas. Ok, acho que ainda tem salvação.
E você não ter feito nada com ninguém não significa que seu nome não vai aparecer. Há tanta gente ruim no mundo, não banquem os inocentes. De verdade. E aquele cara que você se recusou a ficar numa noite porque ele tem bafo? Vai que ele está com raivinha ainda. Tem gente que não esquece… Ninguém disse que precisava ser verdade o que escrevem lá e muita calúnia e difamação podem surgir dali. O lado bom é que existe a justiça e um processo não cairia nada mal nesses casos (ou em todos, você que escolhe!)
Há a opção no Facebook de não permitir que aplicativos de terceiros acessem as informações do seu perfil, mas aí você é bloqueado no Tinder e afins. Boatos dizem que aquelas meninas que tentam retirar seu nome do Tubby, por ele ainda não ter sido lançado e não ter nenhum documento de privacidade, acabam através dos passos permitindo o livre acesso do aplicativo às suas informações. Então todas nós acalmemos nossos corações até o lançamento oficial do dito cujo (que está em teste para alguns usuários) e nos direcionemos assim que for possível para a exclusão de nossos nomes e a consequente denúncia do Tubby.
Ah, e você aí está pensando que não aconteceu nada ao Lulu? Por ser o aplicativo mais antigo e já “no mercado”, o Ministério Público já investiga a declaração e termos de uso tanto do Lulu quanto do Facebook, sendo assim, algum caroço deve surgir nesse angu. Pelo menos assim a gente espera.
O revanchismo raso na criação do Lulu não é a saída para uma sociedade mais igualitária. Eu, pelo menos, só vejo uma: respeito mútuo. Apenas a consciência e não a criação de novas formas de opressão contra homens tão ruins como nós, mulheres, sofremos pode trazer um horizonte novo aos nossos futuros filhos e netos. Espero ainda viver numa sociedade que não pense que apenas voto para mulheres é mais do que suficiente. Quero ser tão respeitada quanto os homens, não ser medida pela roupa que uso ou pelo que gosto e sinto. Quero ter minha liberdade de escolha independente da visão de machistas e feministas exacerbadas.
A sociedade que eu quero é a sociedade em que todos nós possamos ser nós mesmos, além de notas e avaliações estúpidas e anônimas. 

Código de ética do spoiler

Eu passei os últimos dias atarefada até os cabelos com minha monografia. Enviei minha versão final editada ao orientador há minutos apenas e por este motivo eu estou com olheiras, dormindo pela metade e o que é mais urgente: atrasada com minhas séries.
E olha que assisto só The Walking Dead e American Horror Story: Coven! Perdi dois episódios doswalkers e enquanto eu não me conformava com minha impossibilidade de assistir, tinha gente soltando spoilers por todas as mídias sociais.
Pera lá! O spoiler de que o Marley morre tá mais do que batido porque, sinceramente, quem ainda não assistiu “Marley & Eu”? Tem que viver em outra dimensão, não ter televisão, ignorar completamente filmes, ter estado em coma durante os últimos cinco anos ou passado por algo extremamente grave: tipo um TCC que é um eterno labirinto. Se você não viu e não encaixa-se em nenhum destes quesitos, me desculpa, volte cinco casas para o passado e veja pelo menos para não ser atingido pela tempestade de canivetes que eu chamo alienação quase cultural. Convenhamos que Marley & Eu não é lá um banho de cultura como a exposição hipster/cult da japonesa que está no CCBB e eu infelizmente ainda não fui. Férias, vou lhe usar!  Voltando:
O spoiler tem toda uma ética envolvida. 
Não é que nem comer de boca fechada ou não arrotar à mesa. Isso é etiqueta. Para mais informações, procure a Glória Kalil.
Você pode realmente destruir uma pessoa por uma dia inteiro. Ver o jogo sabendo que seu time vai perder não tem graça! Ver o Titanic, super-conhecido blockbuster e obviamente cheio de spoilers na internet, não tem tanta graça assim.
Ler o livro sabendo que seu personagem favorito vai morrer no final não é legal! Não seja o otário que fala: “Haha, mas quem morre não é quem você acha que vai morrer.” Ok, idiota. Agora eu sei que quem morre não é pessoa que eu achava que ia morrer, é a pessoa menos óbvia. Eu poderia descobrir isso sozinha!!
Venho por meio deste post chamar a atenção para o problema social que pode ser um spoiler não avisado. Também atento para quais tipos de relações sociais você rompe ao não cumprir este acordo quase moral que é soltar um spoiler com aviso. Amizades podem ser destruídas por isso, laços podem ser desfeitos e a consciência do fofoqueiro chafurdar-se eternamente na lama do arrependimento.
Eu sei! Eu sei que a língua coça, os dedos quase tomam vida nos teclados do computador. Você está eufórico para espalhar a notícia de que só você percebeu que o casal favorito se beija na série que milhões de pessoas também assistem! Num momento de sanidade, porém, pare e pense:“Eu, como ser social, me recuso a compactuar com esta falta de ética”. Apague seu comentário maligno, desfaça esse pensamento na sua cabeça e vá fazer crochê ou procurar fotos de cachorros fofos no Google.
E numa série como The Walking Dead em que um monte de gente morre o tempo todo, descobrir que um dos seus personagens favoritos vai morrer continua não sendo legal! Pode ter morrido metade do elenco: eu não me importo. Quero ser impactada no momento em que assisto e não numa página do facebook que eu não procurei,  mas um ser desalmado, antiético e vil decidiu escrever em letras garrafais a informação quentíssima .
Você não precisa se preocupar. Minha primeira dica para você não ser o babaca do spoiler é:

1: Escreva SPOILER em letras vermelhas, caixa alta e com adereços de escola de samba, se possível;

2: Tenha auto-controle. Vá em fóruns específicos de discussão para quem já assistiu ao episódio. Aí não há spoiler;

3: Comentários sobre a arte são sempre bem-vindos, mas limite-se a dar aquela informação bombástica sem preocupar-se tanto apenas um mês depois da liberação do episódio da série. Se for um livro, discuta livremente em apenas um ano. (Posso ser legisladora daqui a pouco).

Seguindo as regras da boa-convivência e da ética no compartilhamento de informações, as leis da natureza irão te poupar quando for sua vez no TCC! Acho que mereci (Juliana, desculpa por aquele spoiler da Carol!).
Preparei buttons de SPOILER ALERT pra você não se preocupar.
catsspoiler
Este post faz parte da campanha criada por mim:
chora

Vídeo "Mundo ao contrário"

Estamos no século XXI e há ainda pessoas que legitimam a homofobia que praticam por conta de suas visões de mundo. Vem com aquela história de que é impossível haver demonstrações de afeto em público (como se essas pessoas mesmo heterossexuais não dessem uns beijinhos no cinema) por conta das crianças que "vão aprender errado" e que ninguém é obrigado a ver um beijo entre um casal homossexual.
Realmente, não somos obrigados a ver beijos calorosos em público de casais homossexuais e nem de heterossexuais. O limite e o bom senso valem para ambos. 

Parando de falar um pouco, assistam esse vídeo. Dá pra refletir bastante sobre o assunto.