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Ônibus

Abro espaço neste blog familiar para falar de algo muito importante na vida do suburbano médio: ônibus. 

A minha primeira vez num ônibus sozinha foi um hino de redenção. Doze aninhos, bolsa do curso de inglês no braço e borracha da Barbie no estojo. Meu pai deu 5 pratas pro pastel no China e disse as palavras mágicas:

"Sabe voltar pra casa de ônibus?"

Parecia que um som de flauta doce havia saído da boca do meu pai. Me senti a senhora da razão, parecendo que dali em diante eu poderia ser emancipada e estava autorizada a ter minha casa com 18 cachorros. Melhor que isso só se meu velho-não-tão-velho-assim permitisse que eu colasse os posteres dos Jonas Brothers nas paredes do meu quarto. Mas ele não deixou isso. Ainda bem. 

Foram os dez minutos mais independentes de toda a minha vidinha. Eu não queria ser buscada naquele dia. Eu sairia imponente pelas portas vermelhas do curso, cruzaria a rua, rumaria ao ponto de ônibus movimentado e faria sinal para o primeiro ônibus que passasse na minha frente. Qualquer um servia para mim!! Menos um. E disso eu não sabia.

Queridos leitores, adivinhem qual foi o primeiro ônibus que passou. Isso mesmo, o dito cujo. 

Enquanto eu olhava o percurso do alto da minha independência, ele não fez a curva que eu esperava que fizesse. Pelo contrário: ele seguiu em frente. 

Meu esfíncter agiu, fechando-se com a graça de músculos bem preparados para o perigo. Agradeci por ter só 12 anos e toda a musculatura ainda preservada.

E nesse momento eu percebi: eu estava muito ferrada. Aonde aquele ônibus estava me levando? Puxei a cordinha, que obviamente não estava funcionando como em todo bom dia de falta de sorte. Mas o ônibus parou e eu desci. 

Eu não sabia onde eu estava. Graças a Deus meu Nokia tijolão com toques polifônicos estava do meu lado e eu disquei o número do meu pai, a cobrar é claro. 

"PapaieuestouperdidapeloamordeDeusmeajuda"

Após uma ligação confusa de tempo recorde com meu pai (21 segundos, amigos!!), ele foi me buscar de carro. Então eu percebi que estava a apenas 5 minutos à pé da minha casa.

Isso mesmo. A cinco minutos da minha casa e eu entrando em pânico achando que estava em ambiente hostil.
Palmas para meu cérebro aos doze anos. Palmas. 
E uma salva de palmas pro esporro magnífico que eu tomei do meu pai.


O tempo passou e aos 14 me vi obrigada a todos os dias pegar ônibus para ir à escola. E pense numa mistura de The Walking Dead com Hora do pesadelo. Parecia isso, só que pior. O ônibus, além de cair aos pedaços porque nesta cidade a gente tem um bosta de um prefeito conhecido como Eduardo Paespalho (que aumentou o preço da passagem para três reais prometendo implantar ar condicionado em todas as linhas da cidade, mas apenas as da Zona Sul ganharam ar), tinha vários viciados em crack. 

A cena é triste. Esse é o momento em que o humor fica de lado para dar lugar à tristeza. Sim, são seres humanos, em péssimas condições. Às sete da manhã não era raro ver crianças já drogadas se atirando entre ônibus para que fossem à favela mais próxima comprar mais drogas com pequenos trocados subtraídos dos transeuntes. Eu, com 14 anos e indo engomadinha para uma escola federal, via todos os dias crianças de 10, 12 anos vagando pelas ruas à procura de mais um pouco de droga.

E sim, o ônibus que os levava às favelas era justamente o que eu pegava. E, sim, eles tentavam assaltar quem estava dentro do ônibus certas vezes. Acho que eu sou tão pobre que nunca me roubaram nada, mas já vi vezes de que usuários de droga foram tirados do ônibus com a ameaça de levarem pauladas. E eu simplesmente não podia fazer muita coisa porque... Olha meu tamanho!!

Então uma vez o 350 demorou a passar e eu lá, linda e bela, a esperar. Aí marota que sou vi uma concentração anormal de pessoas na frente do ônibus e falei pra galera: "Vamo nessa porra não!!!". Eu sendo como sempre sutil.

Mas pobre amiga minha, ela já tinha ido. Entramos porque se um está ferrado, estamos todos no mesmo barco. Falei: "Fiquemos aglomerados na frente com calor humano". Pra onde ela foi? Pra trás do ônibus que tinha só dois caras SUPER suspeitos. Esse é o momento em que eu insiro várias exclamações para esta atitude: !!!!!!!!!!!!!!!!!

Daí fomos pra perto porque sou uma boa amiga. De repente, saindo da barra pesada, dois carros de polícia nos cercaram e os caras começaram a pular que nem siri na lata. Meu esfíncter entrou em ação novamente, não passava nem alma. Os caras com arma e andando de um lado para o outro, pondo arma pro alto. A polícia entrou no ônibus, tirou um deles E O OUTRO FICOU. A polícia deixou o comparsa do cara! Como assim?

No primeiro ponto de ônibus todos descemos e botamos dez na pata do veado numa corrida desabalada. Quase atropelados por um outro ônibus em Bonsucesso, fomos depois comer coxinha e rir da situação.

Rir depois que passa é tão gostoso como aquela coxinha. Saudades da coxinha.

Fiquei espertíssima para ônibus, mas tenho mais experiências para contar em vários outros posts. Pobre sempre anda de ônibus e sempre tem novas histórias para contar. Faz parte. 

Quando os sonhos se tornam realidade

Lembro que aos 13 anos eu tinha medo de sangue, mas eu tinha uma vontade muito grande de me tornar médica.
Fui ensinada a lutar contra meus medos e por esse motivo decidi fazer um concurso extremamente concorrido para estudar na Escola Politécnica da Fiocruz. Como sabem, lá me tornei uma técnica de Análises Clínicas e orgulho-me de dizer que não tenho mais medo de sangue (hoje tenho verdadeiro amor).
Desde minhas brincadeiras de médica quando criança até tudo virar uma obsessão de querer salvar vidas, eu amadureci na porrada. A vida vai moldando a gente pelos estresses, pelas provas diárias. Muitas vezes quis desistir, mas graças a Deus tenho amigos que viam em mim um dom que eu demorava a perceber: o de cuidar. E quando eu quis desistir de tudo por uma bolsa de estudos nos EUA, me colocaram na realidade: "você seria feliz fazendo qualquer coisa que não fosse exercendo seu dom?"
Não.
E hoje essa insistência culminou na minha matrícula na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, no curso de medicina. Hoje recebi a grade que por tantos anos ansiei, com todas as matérias que eu um dia quis estudar. Hoje eu me sinto aos poucos acostumada com a ideia de ser uma estudante de medicina, a que eu sempre sonhei, e daqui a algum tempo estar na linha de frente do conforto e salvamento de diversas vidas que passarão pelas minhas mãos.
Meu Deus, obrigada por tudo!!!

E isso aqui no blog traz óbvias mudanças. Pretendo iniciar uma tag sobre a vida do estudante de medicina, desde os primeiros períodos até os finais e a residência. Obviamente, meu tempo está curto (aula de 8-17 hrs e aulas aos sábados). Os posts vão ficar mais regulares, mas não diários. E eu ainda tenho uma surpresinha mais pro fim do mês. Get ready!

She's only 18 (meu aniversário!)




Siiiiiiiiiiiiim, eu sou uma menina maior de idade agora! E ganhei vários mimos, tanto carinho e alegria nesse aniversário que ontem (que foi o dia mesmo) eu nem pude passar aqui no blog para dividir com vocês essa data especial. Ainda não está atrasado, não é?

Quando a gente é pequena, pensa que os dezoito anos são aquela fase em que tudo muda de forma mágica. Você se torna mais responsável, mais adulta e mais longe de ser criança. Confesso que quando eu era pequena eu pensava assim. Conforme foi passando o tempo e eu fui me aproximando dos dezoitão, essa ideia da mudança mágica foi caindo por terra. Nada de mágico aconteceu ontem, não me tornei uma adulta super responsável ainda e quando voltava para casa com meu namorado (no ônibus, porque continuo pooooobre) havia ainda o mesmo burburinho de sempre. E como isso é bom! Percebi que mesmo que as coisas não tenham acontecido conforme planejei, eu tô vivendo e sendo feliz. Percebi que mesmo que me sinta meio sozinha em alguns momentos, há diversas pessoas que me amam do jeitinho que sou e fazem questão de demonstrar isso.

Queria agradecer a todo mundo que participou, mandou mensagem linda, sms que eu não sei quem é porque perdi meu celular recentemente... Respondi a todos pelo que pude fazer. Pelo whatsapp confesso que ainda não vi porque estou sem celular, mas já comprarei outro para responder, ok? Obrigada, pessoal!

Beijão da menina que já pode ser presa.

Três dicas para viver melhor



Hoje eu acordei cedinho para ir à aula. Com a greve dos ônibus aqui no Rio de Janeiro, meus pais acharam melhor eu faltar ao cursinho e eu decidi dormir mais um pouco. 
Engraçado como nossos sonhos nos afetam, não? Dormir mais um pouquinho foi sinônimo de pesadelos e mais pesadelos. Acordei decidida a não me deixar influenciar por isso e pensei: quais são as coisas básicas que nos fazem viver melhor? A listinha mental que procurei repassar durante toda a manhã trago agora para vocês. 



Engula o orgulho

"Mas, ô Bia, essa situação já começou difícil"
Eu sei que é difícil, mas libertador. Demoro muito a perdoar uma pessoa e não costumo dizer que está tudo bem se eu realmente não estiver com o coração em paz (como diz um professor meu). Enquanto isso, pense se realmente pode conviver com a ideia de deixar de lado seu orgulho, suas vontades mesquinhas e suas prepotências. Todo mundo tem seus pontos fracos, aquele ponto cego da sua própria personalidade
Precisa de ajuda? Aceite. Se aceite. Sua vida será mais fácil e você saberá que sempre terá alguém do seu lado disposto a doar o melhor de si para sua vida ser mais feliz. 



Faça alguém rir todos os dias

Certa vez minha mãe me ensinou que todos os dias devemos ceder um sorriso e um "bom dia". Isso pode alegrar nosso dia de uma forma maravilhosa, mas pode trazer benefícios incrivelmente maiores ao outro. Se você passar por alguém todos os dias de fones de ouvido sem olhar ao redor, não vai perceber as nuances da vida do verdureiro, da moça da padaria e do carinha que controla o trânsito perto da sua casa. Experimente sorrir para essa pessoa verdadeiramente, dar o bom dia de toda manhã. 
Eu fiz o teste. É renovador. Sou amiga da moça da quitanda daqui de casa e ela já sabe quando eu não estou muito bem. Pergunta da minha irmãzinha, pergunto sobre a filha dela. E nos ajudamos todos os dias distribuindo sorrisos. 




Se entregue ao que te faz bem

A vida é curta demais para a gente fazer coisas que nos entristecem. Continuar naquele curso da faculdade que a gente não gosta, manter um relacionamento possessivo, não ter o celular que a gente quer só porque daqui a dois anos ele pode parar de funcionar, não se matricular na aula de pole dance por medo do que as pessoas irão dizer...
Se jogar no incerto é muito difícil para taurinos como eu. Pode ser uma resolução para os meus dezoito anos, então eu tenho menos de duas semanas para dar adeus às minhas pequenas prisões. Trocar o xampu que eu não gosto, aceitar minha vida de quatro-olhos a partir de agora (sabiam disso?), ser mais livre comigo mesma! Cada um de nós deve testar o que nos faz feliz e seguir nesse caminho sem olhar para trás e com os ouvidos atentos apenas aos elogios, não aos desagrados. 



A primeira tatuagem


Já falei que meu aniversário de dezoito anos está chegando? 
E não muito diferente de grande parte do adolescentes, chegando nessa idade quero fazer uma tatuagem. Não agora em maio, mas lá pro final do ano é um projeto. Então estive pesquisando sobre umas dicas que qualquer tatuado de primeira viagem deve saber antes de iniciar os carimbos pelo corpo. Decidi compartilhar com meus bagunçadinhos aqui, prontos? 
Começou mais uma vez o discurso de que "isso ficará para sempre na sua vida"? Mais ou menos, não pretendo ser tão chata assim. 
Eu ando levando em consideração muita coisa sobre a tatuagem de número 1. Primeiramente, o lugar: precisa ser um lugar em que eu possa sentir como eu resisto à dor de ter uma agulha colorindo minha pele, ao mesmo tempo em que seja um lugar que ela seja visível (porém nem tanto). Tipo... Eu acho o rosto um lugar super visível mas não é um lugar bom para tatuar geralmente. A ideia passa por aí, conseguiram entender?
Depois disso, precisamos levar em consideração o desenho. Nome de namorados, do primo distante que chegou para passar as férias, a Betty Boop e a Hello Kitty (que foram moda anos atrás e hoje em dia muita gente considera absolutamente brega) são aquelas coisas das quais você deve fugir. Personagens característicos de uma época, nomes e desenhos que são tão elaborados que nem mesmo o tatuador conseguirá compreender para fazer não são boas ideias.
Já que você quer homenagear alguém, por que não cria um símbolo ao invés de tatuar o nome grandão numa parte do seu corpo? Conheci uma moça que fazia uma estrela para cada neto que ela ganhava. Já tinha 4 estrelinhas. Busque a simplicidade e a simbologia para a primeira tatuagem. Pode ser mais inteligente do que futuramente apagar a "Mãe Bainha" da sub-celebridade Bárbara Evans. 
Comece com algo pequeno e se gostar do resultado, evolua suas tatuagens. 

Já ouviu sua avó dizer que o barato às vezes sai caro? Quando nós falamos de tatuagem, estamos conversando sobre algo que tem a ver com nossa saúde. O estúdio precisa ser muito bem esterilizado, alguns materiais serem descartáveis e o tatuador precisa ser muito profissional para que você possa sair feliz com seu desenho tendo toda a saúde possível. Agulhas como as utilizadas pelos tatuadores podem conter vírus como o HIV (causador da AIDS), hepatites e por aí vai. Então dá para ter ideia de que isso não é brincadeira, certo? O lugar tem que ser muito asseado e você precisa ficar de olho.
Além disso, você precisa ter muita certeza de que o tatuador é bom mesmo. O cara tem que ter talento para fazer o desenho virar realidade no corpo. Quando o preço for bem abaixo do preço de mercado, desconfie. Peça para olhar o portfólio dele com desenhos anteriores e procure orientação de amigos já tatuados. Com certeza eles darão boas dicas sobre estúdios bons e bons tatuadores. 




Isso aqui é um erro meio clássico e chega a ser engraçado de triste (oi? mas pensa se não é) ver um erro de português ou qualquer outra língua eternizado na pele. De verdade: pense na tristeza que é olhar um "concerteza" na internet. Agora imagina algo grotesco assim na pele de alguém, pra não sair nunca mais a menos que ela esteja afim de perder uma grana boa e sentir dor para retirar a laser. 

Então tenha muita certeza que estará tatuando algo que não tenha erros mirabolantes de gramática e ortografia.




Dei uns exemplos de tatuagens que eu faria, em menor tamanho e em diferentes lugares. E se querem saber... Não são essas que tenho em mente! HÁ, peguei vocês!

Quais são as outras dicas que vocês consideram importante? Já têm alguma tattoo? Mostrem por favor! Beijão!




Que mal há em um bad day?



Sabe aqueles dias em que você acorda com o peso de um planeta nas costas? Uma noite com pesadelos, a briga com alguém que você ama, o vizinho que na noite anterior ouviu sertanejo até de madrugada... 
Eu sei, eu sei. É uma droga. Você só quer se enrolar em posição fetal e esquecer todas as obrigações. Estudo fica pra depois, arrumar o armário também. E mesmo que ao olhar para a sua unha durante a semana vá te causar arrepios, você não está nem um pouco afim de pintá-la de vermelho hoje. 

Hoje eu acordei assim. E fiquei pensando durante um bom tempo em como eu era "sortuda" de estar sozinha em casa num bad day imenso desses que estou passando. Então descobri que não é tão ruim assim passar por isso, nem que seria o fim da minha ainda curta vida. Já diria o Robbie Williams que é um dia ruim, não uma vida ruim.

Às vezes a gente precisa de um momento de fossa que parece eterna para se dar conta de que nem tudo é tão ruim quanto parece. As coisas poderiam estar muito piores para mim. Eu sei que falta ainda uma semana para o meu inferno astral começar realmente, mas por que sofrer por antecipação?

É claro que eu não estou onde queria estar. Mas venho fazendo o possível para aproveitar ao máximo o lugar onde estou. Se essa é a única alternativa, vamos fazer isso ficar melhor? Às vezes mudar de prisma pode causar boas impressões e mudar completamente o jeito que você encara tudo. Porém enfiar goela a baixo o modo hardcore-Poliana de levar a vida pode ser bem chato nesses dias. Isso só prova que nem todos os dias você precisa ser otimista. Nem todos os dias você precisa estar radiante e soltando foguetes por aí. Nem todos os dias você irá distribuir sorrisos. E está tudo bem com isso.

Está tudo absolutamente normal. Quem nunca teve um bad day realmente não entende de verdade o que é viver, que isso nem sempre são flores amarelas num jardim de primavera. Às vezes você precisa cair uns dias, comer brigadeiro e pipoca o suficiente para se entupir e entender que amanhã você vai estar melhor e que viver um dia de fossa era tudo o que você precisava. 

Doação de cabelos: você também pode fazer

Vocês sabem que eu sou meio maluca com esses negócios de doação, não sabem? Se não sabiam, ficam sabendo agora!

Quero me cadastrar como doadora de medula, já avisei que sou doadora de órgãos, me roo de tristeza por não conseguir doar sangue... Agora que descobri a doação de cabelos pensei que isso é muito amor e por isso estou me segurando para não cortar o cabelo num ímpeto! E ele já tá bem grandinho!

Tá afim de saber mais sobre isso e como fazer? Cola no post aí!



O cabelo na nossa sociedade é sinônimo, para muitos, de dignidade feminina. Um cabelo bem tratado, bonito é sempre muito bem visto por todos. Mas e quando isso é arrancado de nós de uma hora para outra?

Já imaginou uma situação de uma menina da nossa idade, 17 ou 18 anos, que descobre-se de repente com uma doença dificílima como o câncer? E se no tratamento quimioterápico seus cabelos caíssem e ela se tornasse "careca"? Imagina a dificuldade de lidar com a falta de identificação com seu próprio corpo e sua própria imagem, além da doença que está se passando. 

Imagine uma senhora de meia-idade, casada, com filhos. A perda do cabelo para ela pode vir com o medo de que seu marido não mais a reconheça, além de toda a dificuldade da doença que ela está passando. Isso é bem comum quando você conversa com pessoas que passam por esses problemas.

Se você se sentiu mal com qualquer uma dessas situações, deve começar a pensar em se tornar um doador de cabelo! Não doi e faz um bem danado!

Eu estou deixando meu cabelo crescer com o intuito de doá-lo. Já estou há 5 meses sem cortá-lo. Esse é meu recorde porque eu sou a maníaca-que-corta-o-cabelo-sempre. 


Atentei para essa campanha quando minha amiga Letícia Sales, de Recife, deu uma entrevista no jornal local sobre a instituição "Força na Peruca", que atua na cidade conscientizando e recolhendo doações. Ela cortou mais de 20 centímetros do cabelão lindo que ela cultivava já há anos, tudo para o bem da causa. E com certeza há alguém muito mais feliz de receber esse cabelo, que será utilizado para confecção de apliques e perucas para essas pessoas que sofrem de alopécia, câncer, dentre outras doenças ou disfunções que causam a queda do cabelo. 

Ah, queria deixar claro que é o tratamento quimioterápico para o câncer que majoritariamente causa a queda do cabelo. Instituições oncológicas como o INCA (Instituto Nacional do Câncer) estão de olho nisso e muitas vezes recebem doações. Verifique se o INCA no seu estado está recebendo e se informe de todo o processo necessário para cada lugar para onde você está doando. 

Além do INCA e do Força na Peruca, há diversas outras instituições. Informe-se direitinho sobre elas: algumas você precisa pagar correio e frente, noutras há pessoas que vão até mesmo buscar o cabelo.

Para doar, não importa o tipo de cabelo. Dos lisos aos cacheados, passando pelos ondulados, crespos e com frizz. Coloridos, descoloridos, com tonalizantes... A única coisa que se pede é que o cabelo não esteja muito danificado com uma sequência química pesada. 
É importante atentar para o tamanho. A doação recomendada é de mais de dez centimetros (aproximadamente um palmo de cabelo). 



Imagem retirada do Notícias R7

Deu pra entender o processo, pessoal? Animam de doar?
Fazer o bem é sempre a melhor escolha!


UPDATE: Ahhh, acabei de lembrar que eu já havia escrito aqui no blog no início desse ano sobre a doação de medula óssea. Tá quase chegando a minha hora e se você quiser saber mais sobre o assunto, clique aqui

"A conversa"

Foto retirada do We heart it e adaptada por mim. Por favor, muito lindinha.

Aproveitei a carona da Leidianne Martins, do Dedo de Menina, para desenvolver um assunto polêmico mas que envolve todos os adolescentes do mundo todo: sexo.

Quando fui chegando à pré-adolescência, minha mãe casualmente mandou aquela conversa que tooooodas as crianças sabem que vai acontecer. "A conversa" tem um tema meio misterioso (um tabu?). É um enigma envolto em névoa, algo que a gente não sabe exatamente o que é mas com certeza é meio escondido para ninguém comentar tanto com a gente.
Vá lá, aos dez anos eu já sabia o que era sexo, camisinha, opções sexuais diferentes e como não ter um neném cedo era importante. Entendia que era algo sério considerar "a hora certa", tratar de forma igualzinha à que eu queria ser tratada todo mundo que é gay e que o posto de saúde distribuía preservativos e anticoncepcionais. Meus pais me criaram de forma bem aberta e o resto, o mundo foi ensinando.

Mas o sexo ainda é um tabu para várias famílias, principalmente famílias de meninas. O espanto que se segue depois que uma menina perde a virgindade ainda é completamente diferente do que acontece quando descobrem que o menino a perdeu. Já vi darem os "parabéns" ao menino... Por acaso é algum tipo de comemoração de aniversário que eu perdi? Uma congratulação carregada de bestialismo e sexismo.
As meninas sofrem com opções, com prazer reprimido, com a "culpa" de que algo possa dar errado... Claro que os meninos também sofrem pressões da sociedade, mas pressões um pouco opostas. A masturbação masculina é vista como "normal", quem nunca fez? Já a feminina é encarada de forma muito negativa por muitas meninas, inclusive, que mal sabem sofrer com preceitos enraizados da moral cristã que permeia o mundo ocidental. Mesmo se você não tiver nenhuma religião, você nascendo num mundo embebido por séculos de doutrinação cristã vai sofrer influência disso nas suas atitudes. 

Acho que já passou da hora de toda a sociedade agir com seriedade em relação ao sexo, sem tabus, sem névoas.
Todo mundo fez, faz ou um dia o fará.
Todo mundo que fez com a consciência limpa, tendo certeza de sua decisão, gostou. Nunca vi ninguém dizer o contrário.
Homens e mulheres. Heterossexuais, homossexuais, bissexuais e toda a gama de opções sexuais existentes. Todos sentem prazer. Todos. Sem exceção. E isso não é sujo.

A busca pelo próprio prazer é algo legítimo, um grito de liberdade. Seja com quem quiser e da forma como quiser, a menos que você desrespeite o outro.
Não vou ser hipócrita, acho que sua liberdade deve ser alcançada com respeito irrestrito pelo outro. Respeitar o espaço alheio e a liberdade alheia é o que há de vital para que sua liberdade seja legítima. 

Mas enquanto o prazer for seu e a sua consciência dominar toda e qualquer decisão que você tomar... Não torne o sexo um tabu, não perpetue a névoa.

Uma sociedade que comece a tratar o sexo como algo natural tornará, a longo prazo, problemas como gravidez precoce e doenças sexualmente transmissíveis infinitamente mais escassos. 
Uma sociedade que comece a tratar do prazer que vem do sexo tornará, a longo prazo, suas pessoas muito mais felizes, livres e bem resolvidas. 
Uma família que trate com naturalidade "a conversa" terá filhos com muito mais maturidade e menos dúvidas relacionadas ao sexo. 

Só se livrar dos tabus para fazer tudo ser mais fácil, mais leve e muito mais gostoso. 


Chegou o pré-vest! (1)


Monstrinhos da Bia, como estão? Devem ter reparado que eu não tenho sido uma boa quase-blogueira. Deixei a página um pouco muito às moscas, não tenho feito posts com muita frequência aqui no blog e não ando conseguindo divulgar mais tanto o Balbúrdia. O nome disso tudo é pré-vestibular.
Comecei essa semana o curso e estou me adaptando ainda ao ritmo. Vim aqui agora porque tive que sair mais cedo e terminei meus afazeres de primeira semana.
Como alguém que sempre estudou em horário integral, penso que posso ter algumas coisas a acrescentar na rotina de vocês que estão se vendo loucos com essa etapa chata (mas, infelizmente, necessária) das nossas vidas.

Por este motivo, estou fazendo uma série de posts relacionados à época de pré-vestibular. Os vestibulandos atentos? 

Escolhendo a profissão:

Medo, incerteza e paranoia estão geralmente ligados de forma íntima a essa fase da vida. Isso não me é um problema, já que desde os treze anos enfiei na minha cabeça que queria medicina e assim tem sido desde então. A parte ruim disso tudo? É o maior curso (seis anos de faculdade mais a residência) e, mesmo assim, o mais concorrido. A relação candidato X vaga é incrivelmente maior do que dos outros cursos, o que torna o ingresso nas faculdades de medicina algo realmente complicado.

Entendam que não estou desvalorizando outros cursos. Estou apenas constatando números. Durante o vestibular estadual da UERJ, faculdade aqui do Rio de Janeiro, a nota de corte para medicina era apenas dez pontos a menos que o máximo possível de se tirar. Fora que a concorrência era algo que girava em torno de 120 alunos disputando 1 vaga. No vestibular para administração da mesma faculdade, apenas 6 alunos disputavam a mesma vaga. Doi, doi o coração de verdade.

A duração do curso, a disponibilidade dele em locais onde você possa morar, carga horária e concorrência são as coisas que mais são (e devem mesmo) ser levadas em consideração ao escolher uma profissão. Além disso, o salário esperado para um recém-formado, mercado de trabalho e perspectivas de crescimento na profissão (como seria para fazer alguma pós-graduação?) não podem ser deixados de fora das considerações. Mas para mim, a coisa que mais pesou sempre, foi: "Eu me vejo sendo feliz fazendo isso?"

Se você está entrando em uma faculdade agora, num curso que você acha ser "Hm, sei lá"... PARE AGORA! Isso mesmo, em caixa alta, pare agora o que você está fazendo.
Pense. Medite. Organize suas ideias e formule a seguinte frase, em alto e bom som: "Eu me vejo sendo feliz fazendo e exercendo a ...?" Nas reticências, o seu curso.
Se a resposta for não, abandone tudo. A sua felicidade como profissional vale muito mais a pena do que todas as outras coisas consideradas ali em cima.

Pense também no seguinte: qualquer profissional pode se destacar em sua área e ganhar bem. Qualquer profissão dá margem para isso. O comodismo é o pior aliado. Há médicos sem dinheiro e pedagogos ganhando uma nota. A única coisa que você precisa ter em mente é que seu salário depende do que você almeja e, mais, do que você se esforça.
Não serei hipócrita. Realmente, é muito mais fácil ser um médico ganhando muito dinheiro do que pedagogo ganhando muito dinheiro. Mas já vi pedagogos ganhando mais de dez mil por mês depois de vários anos da vida dedicados ao aprimoramento de suas capacidades. 

Mas se aqui, a essa altura do texto, você chegou sem nenhuma noção da carreira que quer seguir, aconselho que você procure ajuda de um teste vocacional.

Sabe o que é o teste vocacional?



Ele é um teste com diversas perguntas sobre seu cotidiano (situações hipotéticas, matérias que se identifica etc) que tem como objetivo fazer um mapeamento das suas habilidades e as profissões que se relacionam a isso. Dependendo do resultado do seu teste, você pode pesquisar por uma área ou outra. 

Não leve o teste tão a sério assim. A minha vocação segundo alguns testes está na área da comunicação, mas dou vazão a essas coisas por aqui pelo blog. Na minha realidade, minha paixão por química e biologia move muitas coisas em mim, além da minha verdadeira obsessão em ajudar a outro ser humano. É claro que a área médica é mais a minha praia para quem me conhece (já protagonizei altas cenas tentando salvar pessoas, isso pode ser tema de outro post hahaha inclui salvar pessoas de afogamentos puxando o cabelo delas, é).

Se você continua perdido depois disso tudo, aconselho que converse com um psicólogo ou terapeuta. Eles podem te ajudar nessa busca por algo agradável de ser feito pela vida toda. Sem estresses para resolver logo.

E se você entrar num curso e descobrir que ele não é aquilo que você gostaria (espere passar os seis meses iniciais para ter certeza, pois nesses meses sempre sempre sempre bate a vontade de sair correndo e gritando que você não queria aquilo quando, na verdade, você só está com dificuldades de se acostumar), tenha a coragem de assumir que você quer sair. E saia! De verdade, saia para buscar sua felicidade em outra carreira!

Esse post fica por aqui, mas outros já estão sendo gestados no meu cérebro. O próximo tema abordará conceitos encontrados no vestibular como relação candidato X vaga, a concorrência, as cotas e o temido ENEM. Beijão! Espero ter sido útil para vocês!

Se gostaram, comentem aqui embaixo!




Amor não se compra no mercado

Por mais que vocês nunca entendam, essa foto diz muito mais sobre amor do que muitas outras.
Pode parecer bem óbvio o que vou dizer aqui, mas depois de dois anos e meio de relacionamento é invariável alcançar algumas conclusões e certezas quase inabaláveis.

A primeira grande conclusão que cheguei servindo de conselheira amorosa da vida alheia (nunca sei o que fazer da minha, vai entender?) foi que amor não se acha disponível em mercados. Ele não brota da terra como dente-de-leão e muito menos cai do céu em forma de gotículas. O nosso amor não pode ser originado nos outros. Nosso amor, aquele que sentimos forte e que não cabe apenas em nós, não pode ser encontrado nos outros. Ele nasce, vive e (por vezes) morre dentro de nós. É tudo questão de saber dividir. Repartir nosso amor com o outro é necessário, mas delegá-lo como originário e destinatário de outro coração exclusivamente é caminho para frustração.

E nem só de amor vive um relacionamento, já dizia minha vó. Quantas vezes não pegamos um ônibus e ouvimos senhorinhas falarem: "Nem só de pão vive o homem."? E nem só de amor vive um namoro, ou casamento, ou seja lá o que for. 
Não, não estou minimizando a importância do amor. Mas para chegar nele, no que é maior, uma série de etapas não pode ser queimada. Uma série de bases retangulares são necessárias para que o sentimento primeiro flutue acima de qualquer abalo sísmico. 

A primeira e mais urgente forma de amar é o respeito. Nunca se pode dizer que ama quando o desrespeito é mútuo, o sofrimento que você causa no outro se sobrepõe a suas reais aspirações de ser humano. Não se pode amar batendo repetidamente com uma luva de boxe no rosto do outro, esperando que o tal do amor resista. Ele murcha como pétala de flor, perde a cor lentamente e quando vamos ver, nosso amor é uma massa retorcida e marrom ao canto. Já é tarde demais...
Outra forma de respeito invariável é o respeito a si próprio. A humildade se inclui aí, quando você se respeita a ponto de entender que o que fez de errado precisa ser consertado para você ser completo para amar de novo. E amar a si mesmo está aí também!

Outra etapa para o amor é o afeto. Puxa, como você se sente extasiado só com a presença daquela pessoa! Uma olhadela rápida para ela faz seu dia cinza virar um azul ofuscante tão bonito e você tem vontade de guardar, secretamente, os ponteiros do relógio numa caixinha para evitar que girem. Você gostaria de ter máquinas fotográficas nos olhos, para registar o sorriso daquela pessoa na sua presença. E você guarda o cheiro dela num lugar particular da sua memória. 
Não digo sobre a paixão avassaladora nesse caso. Não, não trato o afeto extremo que descrevi como paixão porque... paixão é transitória. Acredito ter me livrado desses calores fugazes da paixão em boa parte do meu tempo (é gostosa enquanto acontece, mas primorosa quando deixa de ser a única obsessão da nossa vida), porém de vez em quando posso jurar que tem um cupido pronto com sua flecha logo acima da minha cabeça e puf! me espeta. E eu já nem sei mais quem está ao meu redor.
O afeto é algo muito duradouro e liberado em doses homeopáticas. Não é uma explosão: é uma dissolução. Lenta e contínua de felicidade nas nossas veias. 

A etapa seguinte consiste na admiração. Aquela pessoa que está do seu lado é tão magnífica! Você se sente impelido a sentir até certo orgulho por ela, as vitórias dela são suas também porque você já nutre um sentimento tão especial! Poucas coisas são mais gratificantes que ver os sonhos de quem você ama serem realizados por esforço e vontade dela, é realmente incrível. Se você chegou a esse nível de relacionamento, nesse momento do texto entrego-lhe uma faixa hipotética de "Parabéns! Você é capaz de amar (e merece tudo isso)".

Quando o afeto, a admiração e o respeito estão juntos formando uma tríade conjunta com diversas outras características positivas, você ama de verdade. Não é uma fórmula mágica. Não é 2 + 2 dando 4. Os outros atores da equação podem se alterar, mas nunca deve faltar o respeito, o afeto e a admiração. 

Voltando a falar de relacionamentos, todo e qualquer, desde você com seus pais, irmãos, primos, tios e namorados... Todo relacionamento é uma construção.
Contínua, contígua, unida e segura. Todos os dias você e a outra pessoa precisam utilizar das suas habilidades acima citadas para colocar um tijolo na sua fortaleza. Haverá dias em que uma onda vai bater, levar uns tijolinhos que você demorou um tempão para arranjar. Mas você deve ter calma e paciência de reconstruir tijolinho a tijolinho o que foi arrancado.
Obviamente algumas ondas são tsunamis. Cabe a você avaliar o estrago feito e dizer: "Vale a pena investir mais tijolinhos aqui ou vou acabar perdendo tempo, cimento e trabalho em vão?"

Eu, como talvez conservadora inata, ou uma grega-hebraica-abrasileirada para filósofos, não entenda nada. Sei lá, acho que manuais são muito rígidos, mas nada que uma leitura não abra nossa mente para a reflexão e meditação. Espero ter sido útil. 

Bolsas de estudo no exterior: dúvidas e dicas



Atendendo a pedidos, venho neste post contar minha saga da quase-loucura da minha vida. Aviso que o post é grande já de antemão!

Tudo começou quando, há três anos, eu estava no primeiro ano do ensino médio (UAU, tem tanto tempo assim??). O sonho da minha vida se resumia a uma palavra: m-e-d-i-c-i-n-a. Mas para quem conhece a rotina de vestibulares e, principalmente, dos vestibulares de medicina esse sonho é um pouco distante demais para muitos. Depois de uma recuperação meio injusta em física, comecei a pensar que eu poderia estar um pouco distante demais do intelecto que precisaria desenvolver para ser médica. 

Ao mesmo tempo, eu escrevia textos. Esses mesmos que vocês de vez em quando descobrem aqui no blog aleatoriamente. E eu era boa, cara. Hoje olho pra trás e percebo que eu tinha real talento pro negócio. Eis que no desespero vocacional, decretei: "Vou ser jornalista".

É claro que eu não iria ser qualquer jornalista, até porque não queria ser só mais uma num mercado que eu acreditava estar meio saturado. Com minha mãe sempre de olho nas novidades de intercâmbio (o sonho da minha mãe ainda é esse), eu descobri que aqui no Rio de Janeiro iria haver uma reunião de diversas faculdades americanas e, posteriormente, pouquíssimas inglesas. Seria no salão de convenções de um hotel bem caro da Zona Sul aqui do Rio de Janeiro (se não me engano, foi no Sofitel). Essas reuniões acontecem com certa frequência aqui no Brasil, que é quando essas instituições particulares conseguem atrair novos estudantes para seus campus. Então a primeira dica é: 

Pesquise muito quando e onde acontecerão essas feiras.


Quando fui para a feira, visitei todos os stands. A dica é mostrar-se interessada e ter bom domínio da língua inglesa. Eles perguntaram o que eu fazia, e respondi que fazia um curso técnico numa instituição federal de renome, com boa base em ciências humanas apesar de estudar a área de saúde. Só dizer Fiocruz que os olhinhos deles brilharam. Caso você não estude numa escola de tanto nome, opte por mostrar as coisas que faz. Trabalhos voluntários, participação em competições esportivas, etc. 

Mostre interesse em conversar diretamente com a pessoa da faculdade. Alguns stands vão com intérpretes, mas se você conversar diretamente com o representante da instituição (sempre incluindo o intérprete nas conversas, como eu fiz perguntando: "Conhece a Fiocruz? Estudo lá dentro, faço isso e isso e isso") conta bons pontos tanto no quesito simpatia quanto na fluência da língua inglesa. 

Lá eu tive que responder a diversos questionários (a maioria em inglês) com várias perguntas sobre minha vida. Não lembro exatamente das perguntas, mas era sobre escolaridade, onde eu estudava, por quais motivos queria estudar fora...
Diversas faculdades que tinham o curso de jornalismo se propuseram a explicar a rotina dos campus e sobre empregos. A faculdade que manteve contato comigo foi a George Washington University, que fica em Washington D.C. (capital estadunidense). Lá eles tem um programa para essa área com uma ênfase multimídia que eu achei muito interessante para quem gosta. 
Nessa universidade há também apoio aos estudantes, com dormitórios e estudantes estrangeiros tem prioridade para trabalhar em determinados setores dentro do campus. Masssss o preço era salgado. Mesmo com a bolsa de 50%  eu teria que desembolsar cerca de 40 mil dólares por ano. Mais ou menos 20 mil dólares por semestre. Não consigo precisar os valores até porque faz algum tempo, mas dá para entender que não é qualquer um que pode cursar assim e eu, inclusive, não poderia.

A GWU (abreviei, viu?) tinha uma estrutura bem legal. Eles me entregaram diversos folders e mantiveram contato comigo durante esses dois anos. Na mesma semana, sei que houve um contato da universidade com minha escola, tanto que o coordenador veio conversar comigo e eu disse que poderiam sim falar sobre rendimento e tudo mais. O que contou muitos pontos foi eu ter sido boa aluna durante toda a minha vida e o ensino médio inteiro (mesmo que até 2011 meu currículo não tenha alavancado tanto quanto nos dois anos seguintes). 

Permaneci em contato com a universidade durante esses últimos dois anos e eles sempre mandavam e-mails e papéis informando que eu deveria continuar manifestando interesse pela bolsa porque, em caso contrário, eu a perderia. E eu a perdi PORQUE não estava com vontade de abandonar meu sonho de ser médica por conta de dificuldades minhas. Decidi superar e seguir o que me deixaria feliz, que é minha carreira na área da saúde apesar de amar escrever e tudo mais. 

Se vocês tiverem perguntas além das que eu vou responder aqui, enviem nos comentários que faço um novo post com mais respostas. 


Quero também deixar claro que a bolsa de estudos não era uma garantia pelos 4 anos de faculdade. Eu deveria ter notas boas, participação em atividades extras e tudo mais. Por minha vocação diferente e medo de não ter grana, não fui nem irei. Espero que outras pessoas possam agarrar oportunidades assim!

Esqueci de dizer que algumas outras fases seriam necessárias posteriormente, como provas de inglês e outros requerimentos que eu nem cheguei a ver por ter perdido o interesse. Quero que entendam que eu era uma aluna em potencial interessante para a universidade, mas não tinha muitas garantias de conseguir. 


Perguntas: 


A Wanessa Andrade, do blog Merdicências, perguntou:
Foi por algum tipo de programa? Quais são os pré-requisitos?
Bem, como eu expliquei foi por essa feira de universidades americanas. Nesse caso, não há pré-requisitos, mas é muito interessante que você se comunique fluentemente em inglês e mostre ser bom aluno/ter bons antecedentes, digamos assim.


A Marielen Romanna, do blog Voa, Mari, perguntou: 
O que precisa fazer pra conseguir uma bolsa nos EUA? Todas as universidades gringas disponibilizam essas bolsas?
Há diveeeersos programas, mas eu não conheço a fundo de nenhum (nem mesmo desse) para explicar muito bem. Também não sei se são todas as universidades que fazem isso, mas são muitas. Na feira havia mais de 30 faculdades americanas com seus stands. 


A Danyella Rodrigues, que não tem blog, perguntou:
Como você aprendeu a língua e por que recusou a bolsa?
Eu aprendi inglês em cursos, mas principalmente por mim mesma através de séries, músicas e livros. Meu nível de inglês já é avançado (faltam 3 meses para eu concluir o curso no Cultura Inglesa). Na época, era o intermediário 3, um nível antes do avançado. Isso me permitiu conversar sem grandes falhas com as pessoas de todos os stands. Recusei a bolsa porque, como eu disse acima, meu sonho é ser médica e não jornalista.


A Gessica Alvim, do blog Cereja Black, perguntou: 
Você fez algum tipo de prova/vestibular para conseguir? Alguém te indicou?
Não, não fiz prova alguma porque não optei por continuar mantendo contato com a universidade até o ponto em que eu teria algum tipo de teste de inglês a ser feito. O cara se interessou de verdade porque me viu falando inglês e porque mencionei a instituição em que eu estudava, além do meu curso técnico que, mesmo não sendo na área, já mostra que estava em busca de me tornar uma profissional ainda muito cedo. À época da feira eu havia acabado de completar 15 anos.


A Tati Pereira, do blog Ilha de Tati, perguntou:
Em qual universidade você iria estudar?
Na George Washington University, com o campus em Washington D.C. 


A Leh Giacon, do blog Leh dá dicas, perguntou:
O dinheiro para investir nisso é quanto? Você receberia uma ajuda de custo para viver lá?
O dinheiro é muito. Não parei para fazer contas do total (universidade, moradia, alimentação)... Mas tem que ter muita vontade e dinheiro considerável nesse caso. A universidade ajudaria pelo programa de estrangeiros, com prioridade para trabalho em serviços nas lanchonetes e bares do campus. Mas... Não era muito mais que isso. 


A Mariana Ferrari, do blog Cafeína Aguda, perguntou:
Em quais cidades/estados essas feiras vão e como saber quando vão?
O Google é o melhor amigo dessas horas. Alguns jornais também divulgam, há um tempo atrás o Jornal Hoje, da Globo, falou sobre essa feira. Mas acontecem nas capitais, geralmente. Já vi no Rio, em São Paulo e em Belo Horizonte. 


A Juliana Guimarães, do blog Dona Urbana, perguntou:
Apenas escolas públicas disponibilizam bolsas?
Não sei! Eu fui com minha família, levei meus pais e eles também conversaram (só minha mãe porque meu pai não fala inglês), mas foi sozinha. Há programas de escolas e faculdades relacionados a estudos "sanduíche", metade aqui no Brasil e metade fora, mas o que eu consegui não era ligado a nenhuma instituição de ensino brasileira. 


A Gabriela Azevedo, do blog Adolescente de fases, perguntou:
Você gastou quanto pra isso? Foi através de qual programa? Como assim você não foi?! Qual seu nível de inglês? Você iria morar onde lá? Seria na própria faculdade? República? Casa de alguém? Eles iam pagar todas suas necessidades?
Opa, calma! Não cheguei a gastar nada porque, como disse, desisti numa das primeiras fases do processo. Não foi através de nenhum programa, eu que procurei. Não fui porque não quero ser jornalista e sim médica. Meu nível de inglês é avançado. Eu moraria nos dormitórios da faculdade, em Washington. E eles não pagariam todas as minhas necessidades. 


A Gabrielle Isabelle, que não disse o blog, perguntou:
Tem uma prova certo? Em uma das universidades vi que tem essa prova online, você fez presencial ou online? Onde? Qual universidade? Você contratou alguém para traduzir boletins?
Não cheguei a fazer provas porque desisti nas primeiras fases. Seria em Washington, capital americana, na GWU. E não contratei ninguém para traduzir boletins, eles que entraram em contato com a escola pelo que fui informada. 


As dúvidas foram sanadas com alegria, galera? Perdão pelo post longo, mas queria evitar dividí-lo e nunca mais lembrar de escrever. Ops...

Mais alguma coisa é só comentar, viu? Beijão!

Águas de março

Foto retirada do We heart it

Finalmente ando podendo colocar meu rainy mood em dia! 

Como estão, meus monstrinhos? O blog, mais uma vez, andou desatualizado. Claro que o feriado deu um empurrãozão com vigor nesse hiatus que nós experimentamos, mas eu preciso dizer que minha imaginação andava mais em baixa do que minha conta no banco. O lado positivo é que me diverti demais todos esses dias em Angra e voltei cheia de gás para começar um novo ano da minha vida!

Assim que botei meus pés na Cidade Maravilhosa, senti que o tempo andava mais fresquinho do que eu me lembrava. O sol de rachar cedera lugar a uma brisa quase fresquinha e, com o passar dos dias, a uma chuva tão gostosa que a imaginação flui como um rio desaguando no mar. O meu cérebro voltou a funcionar em ritmo agitado e a parte criativa do órgão parece luzes led de escola de samba: multicoloridas e piscando sem parar.

Por incrível que pareça, o aconchego que o barulho de chuva traz aos ouvidos é algo muito mais profundo e absolutamente necessário depois de tantos dias de calor e estafa. Tive tempo para relaxar, colocar a mente em ordem e definir prioridades. Decidi abandonar a preguiça, tirar meu vestido bonito do armário e ir ao cinema para não ver filme com meu namorado. 

Quando a chuva chegou, usei-a todinha para renovar meus planos e votos pro novo ano. 

Talvez sejam só as águas de março fechando o verão, para parafrasear Tom Jobim. 
Ou talvez seja minha vontade de estar em constante evolução agindo de pouquinho em pouquinho para me tornar sempre melhor. 




Sem desculpas para não mudar


Ontem fui a um estudo no centro espírita que frequento. Enquanto debatíamos o tema "Conheça-te a ti mesmo e verás a Deus", senti que precisava compartilhar com o grupo algumas coisas que mudavam dentro de mim há um certo tempo. Vim compartilhar com vocês também.
Talvez eu tenha parecido mais introspectiva para todos ao meu redor. Meu jeito meio expansivo, tagarela e 
"coala" de ser (não é à toa que meu apelido ainda é coala, sou muito de abraçar as pessoas) vinha dando lugar a uma Ana Beatriz mais pensativa e menos falante. Enquanto eu me encontrava em milhões de coisas, nas minhas coisas, as pessoas pareciam pensar que eu me perdia em um buraco negro de nada na minha mente. 

Percebi que se livrar de pesos é essencial. Me livrar das coisas que nós mesmos criamos e tropeçamos. As pedras que fizemos questão de colocar no nosso caminho e esquecer de onde foram colocadas. Auto-sabotagens, como li num livro certa vez, que nos prendem a nada que seja importante. Nada que limpar a poeira dos sapatos não ajude a seguir em frente. 
Saber que algumas pessoas que se tornaram mais pesadas e atrapalhavam meu caminho precisam ficar para trás. Mas ter consciência de que um dia elas voltam e quando voltarem, eu serei uma pessoa muito mais preparada para lidar com elas.
Me livrar dos ciúmes infundados, dos pensamentos que não servem para nada. Brigar menos com as pessoas que tenho menos contato, ser mais paciente. Ser melhor para mim mesma e então ser melhor para os outros. 
Ninguém que está de mal consigo mesmo consegue fazer o bem para os outros.

Quando chegamos a pensar que precisamos mudar, é porque algo já se operou dentro de nós rumo a esse caminho. É bom me ligar aos bons ventos e deixar a vida fluir... 
Descobri que eu não preciso mais correr sempre atrás dela.

Como lidar com ciúmes no namoro

Olá, pessoas!
Esse final de semana vim passar na casa do meu namorado. Meus pais viajaram, só que eu tive uma prova então meu namorado disse que eu poderia ficar por aqui. AE AE AE. Com ele doente, não vamos poder sair e no momento, e estamos ensinando o priminho dele o que é a neve.

Mas nem sempre as coisas foram tão fáceis assim. Depois de mais de dois anos de namoro, é claro que as dificuldades surgiram e por continuarmos juntos, meio tranquilo deduzir que as superamos. Passamos por problemas sérios meus de saúde, por assim dizer. Além de momentos de briga mais sérias por bobeiras e momentos de nenhuma briga mesmo com motivos sérios. Além de tudo somos dois taurinos, então vocês imaginem como são os ciúmes entre nós... Pois é, mas por incrível que pareça, isso não é mais tanto um problema.


Uma galera tinha pedido há um tempo pra eu falar sobre meu namoro, como começou e tal. Porém eu acho que isso pode vir depois mesmo sendo uma história bonitinha.
Esses dias zapeando pela internet percebi que tem muita gente cismada com ciúmes, de controlar a vida do outro. Isso cansa, chega uma hora que simplesmente estressa e você pode levar um pé na bunda. E o que é pior: sendo o culpado da história.

No começo do meu namoro quem tinha muitos ciúmes era o Lucas. As coisas chegavam a ser engraçadas porque se eu abraçava algum amigo meu ele já começava a ficar vermelho (pensem nele, dessa cor, ficando vermelho). Então a gente começou a implicar com isso na brincadeira, no meio do nosso grupo de amigos e ele logo percebeu que não precisaria ficar me marcando. Depois de algum tempo, eu virei a ciumenta da relação. Queria saber quem era fulano ou ciclano. Mas nada muito exagerado e até mesmo ele admite isso. Entendam: estudávamos juntos, a maioria das pessoas era conhecida.
Vou listar aqui o que descobri serem os maiores problemas ligados aos ciúmes e como eu procederia em cada caso.

Amigos do namorado:

Primeiramente, tenha sempre em mente a ideia de que vocês não nasceram colados. Repita o mantra "Ele é uma pessoa diferente de mim". 
No meu caso, nos víamos na escola e tínhamos os finais de semana para sair. Só que às vezes eu abdicava dos finais de semana com ele porque eu sempre sempre sempre procurei incentivá-lo a ter os próprios amigos (mesmo que sejam meus também) e fazê-lo sair com eles sozinho. Todo mundo precisa de um espaço e um dos motivos mais comuns de fim de namoro é a falta de espaço que os namorados se dão.
Lucas taí que não me deixa mentir: quantas vezes não recusei convites de sair com os amigos dele por saber que ele precisava ficar um pouco sozinho com eles? E eles inclui as meninas que são amigas dele. Claro, nem sempre foi assim. Mas depois de dois anos você meio que aprende, não?
Não vou mentir. Já tive quebra-pau feio com amigas dele mas por motivos que não incluiam ciúmes. E sempre deixei bem claro: 'Não gosto de fulano, não gosto que você fale com ciclano por isso, isso e isso mas não vou te impedir realmente'. E, claro, ficava chateada quando ele falava, nunca escondi isso. Mas respeitava o tempo dele de perceber certas coisas. Você deve ficar sempre perto porque você é amiga do seu namorado, procurando saber de algumas cosias esporadicamente e sem fazer disso uma obsessão na sua vida. Porque... Tem relação única e exclusivamente com a vida dele.
Então minha dica é: saiba quem são os amigos, mas não o proíba de nada. Você decide o rumo da sua vida e ele, a dele.


Redes sociais dele:

Seu namorado tem facebook, twitter, tumblr, WhatsApp? Então, isso é dele. Não seu.
Essa é uma questão que não deve ser complicada para nenhum casal. As redes sociais fazem parte da nossa privacidade. E nem tem essa de: "Ah, mas e se eu desconfiar de algo tenho que saber como olhar" porque é feio, é chato, é escroto. Você não gostaria que ele lesse os segredos que suas amigas contam a você, que são apenas seus, certo? 
A individualidade faz parte do namoro.
Sobre senhas... Bem, eu tenho a senha do Lucas e ele a minha nas redes sociais. Mas a gente nunca ficou nessa loucura de olhar o facebook do outro porque, sinceramente, o dia em que eu precisar fazer isso tenho certeza que chegou a hora de terminar. 
Eu fiquei sabendo da senha dele porque ele me disse: "Ah, a senha é essa: entra aí pra mim e vê se a fulana vai sair mesmo com a gente". E pronto. Só entro no facebook dele quando ele está do meu lado e pede. E também não fuxico outras redes sociais e whatsapp, a menos que ele fale para eu ver alguma coisa específica. A mesma coisa acontece ao contrário. Ele soube da minha senha numa situação parecida com essa e eu sei que ele não entra.
Porque se a gente ama, a gente confia no outro. E no dia em que você desconfiar, saiba que tem alguma coisa muito, mas muito errada no seu relacionamento.


Uma vez, numa aula de filosofia, aprendi que nós somos senhores e escravos de nós mesmos. Nos controlamos e somos controlados por nós mesmos. E eu penso que não somos senhores nem escravos do outro. Um relacionamento deve se basear primeiramente em amor, mas não apenas nele. Se você não estiver vendo no seu companheiro um ponto de amizade, confiança e respeito, tudo o que acontecerá daí em diante irá pender para o fim nada legal. 
Eu sei que é difícil e a mudança precisa começar a se operar em você. Se for o cara que for ciumento, você deve trabalhar para mostrá-lo que não precisa disso sendo justa e honesta consigo mesma. 
Não é algo que em apenas um post você vai aprender, mas isso pode servir para mostrá-los que a vida é um pouco mais do que a desconfiança.
Eu até diria que é muito mais do que a desconfiança.
Espero ter mostrado pra vocês algumas coisas que eu aprendi nesses dois anos juntos. Para alguns é muita coisa, mas pra gente ainda é muito pouco. E isso é um treino diário: todos os dias você vai precisar exercitar sua confiança.

Boa sorte nessa empreitada!

Reflexões sobre "Eternal sunshine of the spotless mind"



Eu já disse que gosto muito desse filme desde a primeira vez que o vi? Tenho mania de dizer o nome do filme em inglês, então se acostumem em ler Eternal sunshine of the spotless mind. O título em português é Brilho eterno de uma mente sem lembranças e já tem no Netflix em HD! 
Ele é um filme de 2004 que tem o Jim Carrey (Todo poderoso, O mentiroso) e Kate Winslet (Titanic, Em busca da Terra do Nunca) como protagonistas, mas também outros nomes como Mark Ruffalo (E se fosse verdade...) e Kirsten Dunst (Melancolia). O diretor é Michel Gondry.


Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças (2004)

A sinopse segundo o Adoro Cinema é essa: 
Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet) formavam um casal que durante anos tentaram fazer com que o relacionamento desse certo. Desiludida com o fracasso, Clementine decide esquecer Joel para sempre e, para tanto, aceita se submeter a um tratamento experimental, que retira de sua memória os momentos vividos com ele. Após saber de sua atitude Joel entra em depressão, frustrado por ainda estar apaixonado por alguém que quer esquecê-lo. Decidido a superar a questão, Joel também se submete ao tratamento experimental. Porém ele acaba desistindo de tentar esquecê-la e começa a encaixar Clementine em momentos de sua memória os quais ela não participa.




Bem, minha opinião do filme é a de que ele é maravilhoso. Você precisa se atentar aos detalhes, como o cabelo da Clem ou as falas de alguns personagens para ele ficar incrível. Assistir pela segunda vez me deu agora um melhor entendimento das situações. 
É um filme muito voltado para o mental. Boa parte dele acontece dentro da cabeça de Joel durante o procedimento, são as lembranças e impressões dele. Por isso há cenas muito surreais e que eu acho esteticamente muito legais. SPOILER: Como, por exemplo, quando as coisas vão se apagando gradativamente. 

Mas o meu objetivo não era fazer realmente uma resenha do Eternal sunshine. Na verdade, era discutir uma questão que me intriga sempre que me recordo desse filme:

 

Porque não é segredo para ninguém que é isso que Joel e Clementine fazem depois da desilusão. Você apagaria da sua vida toda a sua história com um amor que não deu certo, ou com amizades fracassadas e por aí vai?


Eu, Ana Beatriz, não apagaria. Porque, para mim, até mesmo as falhas e as coisas que foram mal sucedidas de alguma forma na minha vida servem de aprendizado. Aquela velha história de que quanto mais erros você comete, menos erros você vai cometer. 
Um relacionamento pode não ser visto como um erro, claro. Mas se ele chegou ao fim, como aconteceu com Clem e Joel, houve erros de ambas as partes. Aquela conversa que você não quis ouvir direito do seu companheiro e ele remoeu. Aquela vez que um dos dois furou um compromisso, a escorregada quando você esquece alguma data especial e por aí vai. Acontece, mas desgasta! Isso em casos que não são de traição, não? Porque se houve traição raras são as vezes em que o traído tem uma mínima culpa. E o maior culpado na situação toda é sempre o traidor, convenhamos! 
Esse é um grande ponto de questionamento do filme e eu quis trazer para vocês. Mandem suas opiniões aí! 

Um ode ao manequim 38 (e ao 36, e ao 40, 42, 44, 46, 48...)

Prende a respiração. Isso, isso mesmo. Encolhe a barriga e pense que seu intestino está ali apenas como acessório a ser ignorado nesse encolhimento todo. Melhor: não pense nele. Ignore sua existência pelos próximos segundos, que vão sim parecer minutos. Pense que você é uma tábua, decore um mantra oriental e imagine que essa massa amorfa na região abdominal pode sim entrar num manequim menor que o seu. 
Ainda com esse encolhimento todo, deite. A gravidade irá ajudar toda sua banha imaginária a entrar nos eixos e na calça 36. Já foi um milagre o jeans ter passado das coxas, mas você não pensa nisso. Você quer fechar a calça e sentir-se enlatada na festa, pra jogar na cara daquela menina que disse coisas ruins durante o ensino fundamental pra você, para parecer a poderosa estátua que vai ignorar o canapé porque não cabe nada no estômago por causa da bendita calça.
PÁ! O botão foi pelos ares e com ele o resto de dignidade que você tinha. Mas não chore...
Querida, você é mais que o manequim 36. Seu manequim é 38. Além disso, você é mais que o tamanho de uma calça.
Confesso ter entrado em desespero dia desses. Sempre vesti números relativamente baixos com toda minha altivez de Olívia Palito. Ganhei uma calça 38 de minha sogra linda (beijos, te amo!) e quase chorei quando vi que a dita cuja nem das minhas coxas passava. Então falei com meu namorado sobre como era ruim não entrar no meu manequim adquirido com uma "dieta do engorda"que foi longe demais. Procurei estrias e celulites e não encontrei nada que fosse digno de nota. Procurei então onde eu estava no sobrepeso. Calculei até IMC, minha gente, e a calculadora online me deu "Parabéns!" pelo peso ideal. De onde eu tirei que deveria ter um manequim X ou Y? Claro, da ditadura da beleza que quase nos oprime. Que diz que o X-tudo do podrão da esquina deve ser rechaçado todas as vezes e não comido de vez em quando. Que diz que a coca-cola do fim de semana deve ser cortada tal qual samurais cortam pescoços. 
E digo pra você que almeja as thigh gaps, ausência de estrias, barriga negativa e por ela mata. Mais do que isso, morre numa dieta e assassina seus instintos ao passar pro lado a rabanada no Natal. Mas que audácia! Deixou a água morrer na boca e a vontade do doce deu um solene último suspiro na areia da praia que você quer exibir o biquíni menor que o da Inês Brasil.
Quem foi que te disse que isso é legal? Ao menos saudável? Se eu fosse um cara eu não saberia nem o que é estria e celulite. Sabe como sei disso? Perguntei pros meus amigos se eles sabiam diferenciar estrias de celulites, banhinhas abdominais de prisão de ventre (pois é, minha gente, mulheres têm uma baita prisão de ventre por conta de hormônios). Te digo que eles nem sabiam o que era o terror das mulheres porque, e acho que a resposta deles foi genial, eles sabem que não vão encontrar o padrão Playboy que eles tanto melam nas revistas por aí. Porque ninguém anda photoshopado na rua. E ninguém precisa viver pra ter o corpo da Salimeni porque isso deve ser chato pra caramba. "Olha meu Whey Protein novo!", "Olha, mudei a série da academia".
Mulheres que batalham, estudam e cuidam do seu corpo da forma que devem cuidar são muito mais interessantes a longo prazo. Não estou dizendo que você tem que abandonar dietas de uma hora pra outra e viver de forma desregrada. Mas ao invés de lutarem pelo #projetoverão, lutem por uma vida mais saudável em todos os âmbitos. E, claro, que lhe forneçam oportunidades das escapadinhas achocolatadas porque nem só de pão vive o homem.
Se o seu manequim for 36, 38, 44 ou qualquer que seja o número, não vale a pena se descabelar se não está onde gostaria. Com calma e com conhecimento do seu próprio corpo, tenho certeza que você vai encontrar mais do que um look legal para ir naquela festa. Você vai poder comer os canapés, os camarões e lagostas que quiser com classe e com espaço na barriga. Mais do que isso: você vai se sentir tão bonita que pode parecer brega, mas nem o iluminador da MAC vai brilhar mais do que seu espírito. Você estará mais radiante porque hoje você se conhece. E você não se define mais por um número qualquer no manequim! 



Para os curiosos e curiosas de plantão, voltei na loja que minha sogra comprou a calça. A moça disse que as numerações não vieram certas e que o 38 era o 36, o 40 era o 38 e assim por diante. Ah, e que eles estava trabalhando para consertar. Não sei como foi que saí da loja, mas não me senti melhor por saber que meu tamanho ainda era o 38. Fiquei pensando: "E o último tamanho, coitada? Se o 46 é o tal do 44... E quem veste o real 46? Não existe mais! Aboliram! A ditadura da beleza é realmente uma bela e gorda duma merda!"


Quando o futuro a Deus pertence

Eu acho que esse vai ser o post mais difícil que o Balbúrdia já me fez escrever, então peço perdão já de antemão por qualquer sensação de desespero que eu possa causar em vocês.
Fim de ano é época de formaturas, e por muito tempo sentimos que todas as pessoas parecem ter se formado e falta apenas você. Acredite: eu vivenciei isso durante um bom tempo. Deve ser porque minha última formatura foi no Jardim. Desde então, os ritos de passagem relacionados à escola foram um universo paralelo à minha realidade. Mas hoje eu venho dizer que aconteceu e aconteceu da melhor forma que poderia ter acontecido.
Bem, não sei se vocês sabem, mas eu estudei na Fiocruz. Mais do que isso, eu sou Politécnica desde que meus pés tocaram o chão (hoje sagrado) da minha antiga escola. Da primeira vez que me encantei com as árvores e folhas e laboratórios e cientistas e com aquela escola diferente de tudo o que vi. Quando marquei a opção "Análises Clínicas" naquele dia da inscrição do concurso eu não fazia ideia do que isso viria a representar na minha vida e acho que até hoje não consigo ter ideia. Bem, eu fui aprovada, passei com uma das melhores notas e sabe o que isso significou? NADA. Isso mesmo, nada! Lá dentro eu era como qualquer outra e ninguém sabia minha nota, o que era maravilhoso.


(Essa é uma foto da primeira semana de aula. Amigos, não me matem. Reparem no Lucas, hoje meu namorado, já me perseguindo. STALKER!!)

À princípio a turma era estranha. Todos pareciam muito mais inteligentes do que eu poderia sequer imaginar na minha vida que existiria. O estranhamento veio com as novas matérias de Ensino Médio, veio com a nota baixa em física e em matemática, veio com o desespero, veio com eu não saber lidar com a química e até com a dúvida se o meu mundo poderia ser o dos laboratórios. Nesse meio-tempo, começou algo que eu não dei bola. A primeira vez que meu então amigo (hoje namorado e melhor amigo) veio falar comigo sobre gostar de mim. Mas eu não podia dizer nada: estava dando adeus àquele mundo porque tinha conseguido uma bolsa de jornalismo para estudar nos Estados Unidos. Naquela época, o mundo das palavras parecia ser a saída para uma vida científica frustrada.
Mas ganhei minha primeira festa surpresa, no meu aniversário de 15 anos. O coro de "Bia, fica!" acompanhado da ideia de que dificuldades eu teria em qualquer segmento da minha vida me fez tomar a melhor decisão da minha vida. FIQUEI, GALERA!



Antes de o primeiro ano terminar, coisas incríveis aconteceram. Lucas virou meu namorado, os amigos se aproximaram, eu passei em química analítica (chora, mundo!) e pronto, já era polítécnica totalmente. Não consigo pensar hoje em dia em dimensões separadas de saúde e sociedade. A evolução já havia sido notada pelos mais próximos.

O segundo ano foi mais tenso. Doeu passar por tudo o que me descobri tendo de enfrentar na vida pessoal mesmo. Veio um problema de saúde que ninguém parecia prestar atenção, veio a dificuldade com coisas mais internas, um ano difícil no namoro e, ah, venci de novo essa etapa. Pode ter sido um ano muito complicado em vários aspectos, mas eu já havia me apaixonado pela profissão que eu vinha conquistando. E meu problema serviu de impulso na monografia.

Aí chegou o terceirão! Monografia, estágio, técnico, vestibular e ainda tinha o Ensino Médio. Tinha minha família, meu namoro, meus amigos, minhas obrigações com a religião... Sobrevivi! Foi um ano agridoce em todos os sentidos. Quando eu achava que não conseguiria mais fazer nada, vinha algo que me animava e eu levantava. Quando eu pensava que não ia dar mais, o objetivo do diploma no final me motivava a seguir.
E chegou o final! 
Dia 12 foi a apresentação da monografia, tirei 10 e fui muito elogiada. Todos vocês, orientadores, me deram um gás inimaginável pra correr atrás dos meus sonhos porque hoje, sem querer parecer orgulhosa, sei que tenho potencial para alcançar meus objetivos. Eu sei que eu sonho alto, mas se tudo que eu fiz de alguma forma deu certo até hoje, vou continuar persistindo! Se der errado, é porque precisava aprender e até nisso pode ter dado certo. 
No dia seguinte a formatura. Peço perdão pelos olhos inchados nas fotos porque foi impossível não chorar. Vencemos! 






Agora o futuro é incerto em vários aspectos. Duas certezas eu tenho, porém:
1- Nada vai ser como foi antes.
2- Eu vou correr atrás dos meus objetivos com todas as forças.